O projeto HYDROREUSE foi criado pelo Centro de Biotecnologia Agrícola e Agro-Alimentar do Alentejo (CEBAL) e pelo Instituto Politécnico de Beja (IPBeja), com o apoio da unidade de investigação FibEnTech – Materiais Fibrosos e Tecnologias Ambientais da Universidade da Beira Interior e do Grupo TRATAGUAS da Universidad de Extremadura. Para além destes centros e unidades de investigação científica, o projeto conta também com o apoio de parceiros industriais da região do Alentejo.

 

Apesar da crescente disponibilidade de água na região do Alentejo, devido às infraestruturas de regadio existentes, a disponibilidade de água na maioria dos países Mediterrânicos, incluindo Portugal, Espanha, Itália e Grécia, ainda não satisfaz totalmente as necessidades para os setores da agricultura, indústria e doméstico. Além disso, as condições climáticas desfavoráveis e o desenvolvimento da população têm aumentado a procura de novas fontes de água para a agricultura, o qual é o principal setor de consumo de água. Assim, a reutilização de água tratada deve fazer parte do sistema de gestão de água integrado para preservar recursos hídricos, solo, ecossistemas e saúde pública. As águas residuais domésticas têm sido consideradas para diferentes atividades, designadamente, aquacultura, agricultura, e espaços desportivos, sendo uma fonte relevante para a irrigação em muitas regiões (África, Europa e América do Sul), devido à escassez de fontes de água, baixa precipitação pluvial nos invernos, verões quentes e secos.

 

A agroindústria é a principal atividade da região do Alentejo. No entanto, leva à produção de vários tipos de águas residuais com elevado impacte ambiental, sendo também das principais fontes de poluição difusa da Bacia do Guadiana (P e N). Apesar das características poluentes, as águas residuais agroindustriais são potenciais fontes de água, matéria orgânica e nutrientes para o crescimento/desenvolvimento de plantas. Dentro deste tipo de águas residuais, destacam-se as águas residuais da produção de matadouros, adegas, lagares e queijarias. Sem uma gestão adequada, estas águas residuais podem causar problemas sérios para o ambiente, tais como, fenómenos de eutrofização, diminuição rápida de oxigénio, salinidade do solo e contaminação de águas subterrâneas, bem como riscos potenciais para a saúde humana. Quando a reutilização de águas residuais agroindustriais é planeada sustentavelmente, há benefícios económicos, ambientais e sociais significativos. Adicionalmente, em trabalhos prévios da equipa, constatou-se um aumento da qualidade do fruto e do rendimento comercializável quando plantas de tomate foram irrigadas com água residual de queijo pré-tratada, com benefícios potenciais para o Mercado e saúde humana.

A reutilização de águas residuais no solo apresenta várias vantagens. No entanto, quando a reutilização de águas residuais é praticada a longo prazo pode conduzir a problemas graves, tais como, salinização do solo, redução do rendimento e da qualidade da produção agrícola, contaminação de águas e acumulação de compostos tóxicos no ambiente, animais e plantas. Neste sentido, o sistema hidropónico constituiu uma biotecnologia ambiental alternativa, real e inovadora para reutilizar/tratar águas residuais agroindustriais com mitigação dos riscos ambientais e na saúde pública. A atratividade desta tecnologia ambiental está relacionada com os seguintes princípios: AR, uma fonte de baixo custo, serve como fonte de nutrientes, matéria orgânica e água para o sistema biológico – vegetais ou plantas que geram produtos com valor comercial, em troca, a águas residuais é tratada através da remoção de matéria orgânica e nutrientes que são utilizados pelo sistema biológico. O sistema hidropónico de dupla função usando vegetais/plantas com valor comercial não tem sido considerado para o tratamento de águas residuais agroindustriais, o que cria uma oportunidade para desenvolver e consolidar ideias e conhecimentos inovadores.

 

O principal objetivo do projeto HYDROREUSE é desenvolver novas alternativas para a gestão das principais águas residuais agroindustriais produzidas na região do Alentejo. Para o efeito, uma linha de tratamento/reutilização inovadora será proposta que compreende tecnologias de baixo custo e amigas do ambiente, nomeadamente pré-tratamento novo, sistema hidropónico de dupla função inovador e oxidação. Esta abordagem permitirá a reciclagem de água, matéria orgânica e nutrientes a partir de águas residuais agroindustriais pré-tratadas utilizando sistema hidropónico para o crescimento de plantas de tomate, o que diminui os custos associados à fertilização comercial e permite o tratamento de águas residuais. O projeto HYDROREUSE atua em setores diferentes e importantes, nomeadamente, na gestão de águas residuais agroindustriais por redução da poluição destes efluentes através de sistema biológico. Outra área importante compreende a gestão de água na agricultura, fornecendo novas fontes de água e nutrientes em regiões caracterizadas por crise de seca como é o caso da região do Alentejo. Este projeto também foca a sua ação na sustentabilidade ambiental através da reutilização de águas residuais pré-tratadas. A caracterização dos frutos obtidos em sistema hidropónico alimentado com águas residuais agroindustriais pré-tratadas permitirá determinar o impacto desta estratégia sobre a qualidade do tomate e saúde pública, e consequentemente a viabilidade da reutilização de águas residuais na produção de culturas alimentares. Este projeto permitirá mudar o estado da arte, determinando a viabilidade de reutilizar águas residuais para a produção de frutos em sistema hidropónico e a eficiência de remoção de nutrientes e matéria orgânica das águas residuais utilizando.

 

 

 
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